Câncer na gravidez: quais os desafios enfrentados durante a gestação?

Câncer na gravidez
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Naturalmente, a gestação é um momento muito delicado na vida da mulher. Afinal, seu organismo passa por diversas mudanças e ela pode ficar mais suscetível a problemas de saúde. Por isso, quando ocorre um caso de câncer na gravidez os cuidados devem ser ainda maiores, para garantir a saúde da mulher e do bebê.

Cada um desses casos apresenta suas particularidades porque a abordagem é adotada conforme a idade da gestação, o tipo de câncer desenvolvido, o estágio em que a doença se encontra e o risco que ela oferece para a mulher.

Como esse tema é muito complexo, conversamos com o Dr. Ellias Lima, especializado em Oncologia, para que ele nos explicasse mais detalhes sobre os desafios das mulheres com câncer durante a gestação. Continue lendo para saber mais.

Quais são os desafios enfrentados pelas mulheres gestantes com câncer?

O câncer também pode se manifestar em mulheres gestantes. Segundo o Dr. Ellias Lima, o principal dilema está entre tratar da saúde da gestante, eliminar uma doença que pode ser letal e garantir o bem-estar do bebê, uma vez que ele pode ser afetado pelo tratamento oncológico.

Em alguns casos, a gestante e a equipe médica precisam tomar uma decisão difícil, que é a de interromper a gravidez quando ela ainda está nos primeiros meses. Isso acontece quando a doença se mostra como um grande risco para a mulher e há necessidade de iniciar um tratamento imediato.

O Dr. Ellias ressalta que no Brasil é permitido realizar o aborto quando existe algum risco de vida para a mulher. Sendo assim, se o câncer for uma ameaça em potencial para ela, a decisão de interromper a gravidez é tomada, porém, não como primeira alternativa. A equipe médica procura evitar até a última instância a realização do procedimento.

Por isso, os casos de câncer na gravidez precisam ser analisados com muita cautela, e a mulher deve ser acompanhada pelo médico oncologista em parceria com o obstetra. É preciso ponderar considerando todos os fatores para que sejam tomadas as melhores decisões naquele momento.

O tratamento de câncer pode ser realizado normalmente na gravidez?

Cada paciente que desenvolve qualquer tipo de câncer é tratado de forma individualizada. No entanto, os casos de câncer na gravidez exigem um cuidado maior, porque além da saúde e bem-estar da mulher deve ser considerada a saúde e o bem-estar do bebê. Assim, não podemos conduzir o tratamento da mesma forma como para não gestantes.

É possível submeter a mulher a procedimentos para conter a doença, sendo eles radioterápicos, quimioterápicos ou cirúrgicos, por exemplo. No entanto, a abordagem é muito variada em função das suas necessidades, das características da doença e do estágio em que se encontra a gestação.

De acordo com o Dr. Ellias, “na balança devem ser postos de um lado o bem-estar da mãe e o grau de prioridade do tratamento, e de outro a idade gestacional, o grau de maturidade do feto e o seu bem-estar.” Desse modo, o oncologista, em conjunto com o obstetra, podem definir o tratamento mais adequado e os cuidados necessários.

Conforme explicamos, quando a mulher recebe um diagnóstico de câncer mais agressivo ou em um estágio avançado ainda no primeiro trimestre da gravidez, a equipe médica pode considerar interromper a gestação. Isso porque é preciso fazer um tratamento de urgência; então, a prioridade é a saúde da mãe.

Também pode acontecer de o diagnóstico ocorrer mais para o final da gestação. Nesse caso, a equipe médica acompanha a maturação do bebê e, quando ele já pode nascer com segurança, mesmo que prematuramente, é feito o parto. Assim a mulher pode iniciar o mais rápido possível o tratamento oncológico.

Tratar o câncer na gravidez oferece risco para a mulher e o bebê?

De acordo com o Dr. Ellias Lima, “os riscos de tratamento para a mãe são praticamente os mesmos de uma mulher não grávida, como:

  • queda da imunidade;
  • risco de infecções;
  • náuseas e vômitos;
  • queda de cabelo;
  • alterações da fertilidade que podem levar à infertilidade.”

Ou seja, desenvolver um câncer na gravidez não afeta de forma mais significativa a saúde da mulher em função do seu estado, mas pode trazer riscos para o bebê. De toda forma, a gravidez em alguns casos gera atrasos no tratamento, e isso pode agravar a doença.

Porém, conforme o Dr. Ellias explicou, sempre é colocado na balança para que se possa decidir aquilo que será melhor para a mulher, procurando ao máximo preservar também o feto. Afinal, o tratamento oncológico pode comprometer o desenvolvimento do bebê e ocasionar malformações.

Esses riscos também variam muito em função da localização da doença. Uma mulher que desenvolve um câncer de mama, por exemplo, pode ser submetida à cirurgia para retirada do tumor e, posteriormente, se necessário, à quimioterapia, sem afetar a saúde do bebê.

Já no caso das mulheres que desenvolvem um câncer no útero, a decisão da melhor abordagem á tomada conforme a idade gestacional e o estágio da doença. Tumores pequenos podem ser retirados por cirurgia, mesmo com a mulher grávida; mas quando há necessidade de retirada do útero, é preciso considerar o desenvolvimento do feto.

É possível engravidar após um tratamento de câncer?

Conforme Dr. Ellias esclareceu, um dos riscos aos quais a mulher está exposta quando realiza um tratamento de câncer na gravidez, ou mesmo não estando gestante, é a perda da fertilidade. Portanto, engravidar após o tratamento pode ser difícil, ou mesmo impossível, dependendo do grau de comprometimento do sistema reprodutor.

Sendo assim, os casos variam muito dependendo do tratamento que foi empregado. Afinal, o especialista também alertou que uma mulher que precisa tratar o câncer de colo uterino por meio da radioterapia, por exemplo, tem praticamente 100% de chance de desenvolver a infertilidade, uma vez que seus ovários são irradiados.

Nos casos de câncer de mama tratados por meio da quimioterapia, existe uma chance moderada de a mulher entrar na menopausa, com risco aumentado de acordo com a sua idade e a proximidade com o período normal da menopausa.

Também é válido ressaltar que há necessidade de aguardar um período após a finalização do tratamento oncológico para tentar uma nova gravidez. Em alguns casos de câncer de mama esse período pode ser maior do que cinco anos.

Por isso, é interessante que a mulher converse com a equipe médica para saber qual é o seu risco de desenvolver infertilidade. Vale lembrar que, para algumas, é possível fazer o congelamento dos óvulos para, depois de finalizar o tratamento oncológico, realizar técnicas de reprodução assistida.

É importante lembrar que os tratamentos oncológicos evoluíram bastante; por isso, é possível tratar o câncer na gravidez preservando a saúde da mulher e do bebê. Mas para vencer esses desafios é importante contar com uma equipe especializada, para dar atenção ao bem-estar de ambos e todo o suporte psicológico que a mãe precisará nesse momento.

Quer saber mais sobre esse assunto? Entre em contato com a nossa equipe e se informe sobre as técnicas de tratamento oncológico disponíveis atualmente.

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