Câncer ocupacional: entenda como surge e o que fazer para evitá-lo

câncer ocupacional
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De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o local de trabalho é onde acontecem as maiores concentrações de agentes cancerígenos em comparação com outros ambientes. Dessa maneira, a exposição leva ao câncer ocupacional, um grupo de doenças em que a notificação ainda é pequena no Brasil, principalmente por conta do longo período de latência desses tumores em muitos casos.

Esse é um assunto que merece atenção, visto que significa risco para trabalhadores de diferentes ocupações. Quer entender melhor como o câncer relacionado ao trabalho surge, os seus sintomas e quais medidas que podem ser tomadas para evitá-lo? Continue a leitura do nosso post!

O que é o câncer ocupacional e como ele pode surgir e se desenvolver?

O câncer ocupacional tem a sua origem ligada à exposição de algum agente ou substância no trabalho. O problema é que ele pode surgir mesmo depois da cessação dessa exposição.

O contato frequente com o agente cancerígeno leva a mutações nas células do trabalhador, que começam a se proliferar de forma desordenada, dando origem ao tumor maligno, que eventualmente evolui, podendo invadir órgãos que estão próximos ou chegar à corrente sanguínea, atingindo outros órgãos. As regiões mais afetadas são as de contato de exposição, como a pele e o aparelho respiratório, e de excreção, como o aparelho urinário.

Segundo o levantamento do Atlas do Câncer Relacionado ao Trabalho — publicação do Ministério da Saúde —, são cerca de 900 agentes cancerígenos que estão em locais de trabalho, sendo que a exposição à maioria deles é evitável.

Estamos falando, portanto, de um risco ocupacional para muitas pessoas, especialmente para aquelas que trabalham diretamente com algumas substâncias, como metais, radiação, agrotóxicos, poeiras e fibras orgânicas, produtos químicos, entre outros.

Quais os trabalhos que apresentam maior risco em relação ao câncer ocupacional?

Existem algumas ocupações que estão mais expostas ao câncer ocupacional, como a de trabalhadores que lidam diretamente com:

  • poeira proveniente da combustão de madeira, o que ocorre em carvoaria;
  • produção de amianto;
  • mineração;
  • fundição de aço;
  • produção de couro e borracha;
  • produção da indústria têxtil;
  • exposição a petróleo e aos seus solventes derivados.

Além disso, há risco para trabalhadores das usinas nucleares, pintores, soldadores e profissionais de estabelecimentos de saúde que ficam expostos à radiação de aparelho de raios-X ou tomografias. Trabalhadores da agricultura que têm contato com agrotóxicos também estão expostos ao câncer relacionado à ocupação.

Quais são as principais substâncias e os agentes cancerígenos presentes nessas ocupações?

A lista de substâncias e agentes carcinogênicos relacionados ao trabalho conhecidos é extensa. Entre eles, estão:

  • radiação ionizante;
  • berílio;
  • cadmio;
  • níquel;
  • urânio;
  • anilinas;
  • cromatos;
  • asbesto;
  • arsênio;
  • cobalto;
  • chumbo inorgânico;
  • benzeno;
  • sílica;
  • glifosato;
  • pó de madeira;
  • pó de couro;
  • radiação solar.

No caso do trabalho na indústria têxtil, por exemplo, há exposição a diferentes substâncias cancerígenas, como solventes, corantes, poeira de fibras de asbesto e de fibras vítreas sintéticas. Já a exposição ao arsênio é comum em usinas termelétricas de carvão, fundição, manufatura de vidro, montagem de baterias e também indústria de eletrônicos.

Quais os tipos de câncer que essas ocupações podem desencadear?

A exposição a essas substâncias pode desencadear diferentes tipos de câncer, como o asbesto, que causa câncer de pleura (membrana que envolve o pulmão), e a poeira da combustão da madeira e a sílica da mineração, que causam câncer de pulmão. Já a exposição a solventes derivados de petróleo pode causar leucemia e linfoma, e a exposição a agentes usados na fabricação da borracha pode levar ao câncer de bexiga.

Até mesmo a exposição excessiva ao sol também é um fator de câncer ocupacional, visto que muitos trabalhadores recebem radiação solar em sua ocupação sem a proteção adequada, o que pode levar ao diagnóstico de câncer de pele.

O Atlas, sobre os tumores relacionados ao trabalho do Ministério da Saúde, aponta ainda, que a não exposição aos agentes cancerígenos durante a atividade ocupacional diminuiria até:

  • 37% das mortes por leucemias;
  • 15% das mortes relacionadas ao câncer por tireoide;
  • 14,25% das mortes por linfomas Não-Hodgkin.

Quais os sinais de alerta de que um possível câncer ocupacional está se desenvolvendo?

Diante da gravidade dos riscos aos quais trabalhadores de diferentes áreas estão expostos, fica uma pergunta: será que é possível identificar algum grupo de sintomas que indicaria o câncer em seus estágios iniciais?

Isso vai depender do tipo de câncer, visto que, no geral, sintomas relacionados a um emagrecimento não intencional, à tosse crônica, à dor crônica e ao cansaço excessivo, por exemplo, podem ser um alerta para o aparecimento de alguma doença.

Nesse sentido, pacientes expostos a agentes carcinogênicos ocupacionais devem usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e ter um acompanhamento rigoroso do médico do trabalho a fim de prevenir ou evitar alguma doença relacionada à ocupação.

A Oncomed BH é referência na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de câncer e se destaca pela equipe altamente especializada e pelo atendimento humanizado aos seus pacientes. Dessa forma, pode ser um parceiro para a investigação e para o acompanhamento integral para os diferentes tipos de câncer relacionados ao trabalho.

O que deve ser feito para evitar e se prevenir do câncer ocupacional?

Como o perigo do câncer ocupacional se dá pelo contato com os agentes cancerígenos, seja encostando, seja manuseando, seja inalando essas substâncias, uma boa medida de prevenção é usar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como dito. Dessa forma, a exposição é minimizada e, em grande parte dos casos, nas grandes empresas, esse aspecto é bem controlado.

Entretanto, alguns trabalhadores autônomos devem ter atenção à questão, observando o seu risco de exposição de modo a utilizar a proteção adequada sempre. Como exemplo, podemos citar os pintores, que têm grande exposição a solventes derivados do petróleo.

Por fim, uma recomendação importante é de que o profissional procure uma avaliação médica periódica e também quando houver o aparecimento de algum sintoma novo.

O câncer ocupacional engloba diversos tipos de tumores, mas que podem ser evitados com a redução ou a eliminação das exposições às substâncias causadoras das doenças. Dessa forma, é preciso que as autoridades de saúde tenham um olhar mais direcionado a esse problema, com um acompanhamento mais efetivo de trabalhadores e condições de trabalho.

Busca uma clínica para fazer a prevenção do câncer ligado ao trabalho? Entre em contato com a equipe da Oncomed e saiba mais sobre o nosso atendimento!

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