Depressão e câncer: como cuidar da saúde mental durante o tratamento?

depressão e câncer
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Receber o diagnóstico de câncer não é uma tarefa fácil, bem como passar por todas as etapas do tratamento. Ainda que os resultados positivos e de cura sejam cada vez mais comuns, também é frequente a relação entre depressão e câncer.

No entanto, além do próprio fator emocional, existem outros externos e internos que podem potencializar o surgimento da depressão em um paciente oncológico. Outro ponto importante sobre essa relação é que o inverso também pode acontecer: pessoas com depressão podem ter mais probabilidade de desenvolver o câncer, quando não elaboram os sentimentos e a percepção de como lidam e se posicionam frente a eles. Além disso, quem já teve depressão em algum momento da vida está mais sujeito a vivenciar esses momentos de novo.

Para saber mais sobre essa relação, quais sintomas merecem atenção e a importância do acompanhamento psicológico durante o tratamento, confira este artigo!

Conheça a relação entre depressão e câncer

O próprio diagnóstico da doença é capaz de abalar uma pessoa, desencadeando a depressão. Afinal, ainda existe muito medo, acompanhado de incertezas e de mudanças bruscas de vida, de imagem e de hábitos. É um momento de muitas rupturas, que naturalmente deixam os pacientes mais abalados e sensíveis.

Como sabemos, existem muitos fatores que podem ser apontados como causas do câncer, entre:

  • os externos, como alimentação inadequada, consumo de cigarro e álcool, exposição profissional, falta de exercícios físicos e exposição à radiação ou a produtos químicos que podem causar o câncer;
  • os internos, como sistema imunológico comprometido, predisposição genética e hormônios.

Vale lembrar que entre 80% e 90% dos casos de câncer estão associados a causas externas e que a depressão é um dos fatores que interferem nas causas internas — especialmente nas alterações imunológicas e hormonais, que podem sofrer influências diretas dos aspectos emocionais da pessoa.

Saiba quais são os sintomas para ficar atento

Os principais sintomas de depressão em um paciente oncológico são os mesmos demonstrados por pessoas sem o diagnóstico da doença e incluem:

  • falta de vontade para realizar atividades que davam prazer;
  • sensação de vazio ou tristeza;
  • falta de energia e cansaço constante;
  • ansiedade;
  • irritabilidade;
  • dores no corpo;
  • alteração no sono;
  • perda de apetite;
  • queixas cognitivas;
  • abuso de álcool e drogas;
  • alterações no comportamento, sendo a lentidão nas atividades mentais e motoras a mais comum, havendo, no entanto, pessoas que também apresentam agitação.

Além desses sintomas, o paciente oncológico depressivo pode apresentar outros comportamentais e cognitivos, como:

  • choro frequente;
  • sentimento de inutilidade;
  • culpa excessiva;
  • tendência ao isolamento;
  • perda da esperança;
  • dificuldade para tomar decisões e manter o foco;
  • pensamentos negativos que podem chegar, até mesmo, ao suicídio.

Um grande desafio para identificar e tratar a depressão em pacientes oncológicos é que, geralmente, essas pessoas não manifestam interesse em realizar o acompanhamento psicológico, o que dificulta todas as etapas do processo.

Portanto, toda a atenção e o cuidado da família e dos profissionais que acompanham o paciente são essenciais, como veremos mais adiante, ainda neste conteúdo.

O diagnóstico de depressão em um paciente oncológico

Confirmar o quadro de depressão é um trabalho que cabe a um profissional — de preferência o especialista em saúde mental, o psiquiatra —, mas, por causa da resistência e do preconceito dos pacientes e de familiares em irem em busca desse médico, a avaliação, muitas vezes, é feita pelo próprio oncologista. Existem alguns locais que são referências em oncologia, como a Oncomed BH, que propõe o acompanhamento psicológico para todos que vão começar o tratamento.

Esse trabalho contribui muito para que seja feita a identificação dos sintomas depressivos, justamente porque há uma escuta que avalia o estado emocional e o comportamento do paciente. Além disso, é possível lançar mão de instrumentos validados para a avaliação da depressão.

O tratamento da depressão, por sua vez, pode ser feito com antidepressivos associados ao acompanhamento psicológico ou apenas com o acompanhamento psicológico, que permite ao paciente ressignificar e elaborar todo o processo vivido para melhora da qualidade de vida durante o tratamento.

Entenda a importância do acompanhamento psicológico

O estado emocional do paciente pode não apenas prejudicar o tratamento, mas também agravar a doença. Isso porque a depressão, por exemplo, pode dificultar o autocuidado, a adesão do paciente ao tratamento e a busca pelo diagnóstico precoce, além de alterar a percepção de dor e interferir na baixa da imunidade. 

Ou seja, tanto os doentes crônicos ficam mais deprimidos quanto os indivíduos deprimidos tendem a ser mais propensos a doenças infecciosas, segundo Kalil Duailibi, psiquiatra e professor da Unisa (Universidade Santo Amaro), em São Paulo.

Por todos esses motivos, o acompanhamento psicológico é fundamental durante o tratamento oncológico e não apenas para o paciente, mas também para os seus familiares.

O psicólogo, por exemplo, vai trabalhar na elaboração do diagnóstico, nos significados do adoecer, nas expectativas diante do tratamento e na forma como o paciente compreende esse processo. O objetivo desse acompanhamento profissional é minimizar o sofrimento emocional e também os sintomas físicos, auxiliando ainda na adesão ao tratamento.

Além disso, o trabalho psicológico vai atuar nas expectativas e ansiedades da família, auxiliando no fortalecimento dos vínculos afetivos e esclarecendo dúvidas sobre a doença e o tratamento.

Por fim, é importante ressaltar que o acompanhamento psicológico não deve ser realizado apenas na confirmação da doença. É essencial que ele prossiga durante o tratamento e também depois que ele for finalizado, ajudando na reinserção do indivíduo nas atividades de trabalho ou do seu dia a dia ou, quando for o caso, auxiliando a família diante do falecimento de seu ente.

Como você pôde conferir, depressão e câncer estão diretamente relacionados e é fundamental buscar viver um dia de cada vez, a fim de preservar a saúde mental e emocional, bem como para buscar mais qualidade de vida nos aspectos emocionais, sociais, físicos e espirituais.

Essas dicas, na verdade, são válidas para todos os indivíduos, pacientes oncológicos ou não, mas, no caso específico das pessoas que estão em tratamento contra o câncer, é preciso priorizar atividades que tragam prazer e alegria, sempre respeitando os limites do corpo e da alma.

Por fim, se você estiver vivendo esse momento desafiador, seja compassivo consigo mesmo, procure pessoas de apoio, não faça comparações (com os outros ou com você mesmo antes do câncer), cuide-se e defina expectativas realistas.

Este artigo sobre a relação entre depressão e câncer foi útil? Esperamos tê-lo informado e apoiado com este conteúdo. Para saber mais sobre o trabalho da Oncomed, entre em contato com a nossa equipe!

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