Saiba por que pode ser perigoso tomar medicamentos fitoterápicos

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Atualmente, o consumo de produtos fitoterápicos se tornou muito recorrente. Uma das principais alegações que o justificam é que eles não fazem mal à saúde.

No entanto, até que ponto isso é verdade? Produtos naturais realmente não são capazes de causar danos? Neste post, vamos mostrar por que pode ser perigoso tomar medicamentos fitoterápicos sem orientação médica. Leia e tire as suas dúvidas!

O que são medicamentos fitoterápicos?

Os medicamentos fitoterápicos são, conforme a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os que apresentam somente matéria-prima vegetal em sua composição e têm eficácia e segurança fundamentadas em evidências clínicas. Já os medicamentos alopáticos são aqueles em que o princípio ativo está bem isolado e a estrutura química é bem definida.

A diferença principal entre fitoterápicos e alopáticos é que os últimos são produzidos pelo processo de síntese. Nesse processo, as moléculas químicas são unificadas para que a fórmula desejada seja atingida. Os medicamentos fitoterápicos, por sua vez, são fabricados a partir de plantas medicinais que utilizam o extrato do vegetal e que contêm milhares de substâncias naturais. 

Os medicamentos fitoterápicos devem ter a sua efetividade e a segurança confirmadas por dados científicos. Eles devem passar por um controle de qualidade, como qualquer outro medicamento. Porém, devem ser projetados para a utilização sem a necessidade da fiscalização de um médico, enquadrando-se na categoria de MIPs (Medicamentos Isentos de Prescrição). Apesar de poderem ser comprados sem a necessidade de receita, para um uso seguro, devem ser prescritos por um profissional da área de saúde.

Quais são os seus benefícios e a quem se destinam?

Os benefícios mais importantes dos medicamentos fitoterápicos envolvem menores custos e menores efeitos adversos. Mas é preciso ter cuidado porque o uso incorreto deles pode, sim, causar efeitos adversos graves, como os tóxicos e as reações alérgicas.

Eles apresentam diferentes indicações, mas devem ser prescritos de acordo com cada caso e conforme o perfil clínico do paciente. Eles costumam apresentar eficiência no tratamento de doenças psicossomáticas, de insônia, de problemas gastrointestinais (gases, gastrite), de dores, de anorexia e de espasmos. Eles não costumam ser aplicados para tratar hipertensão, infecções e insuficiência cardíaca.

Quais são os riscos de tomar medicamentos fitoterápicos sem prescrição médica?

Todo medicamento apresenta contraindicações, seja sintético, seja fitoterápico. O médico especializado deve avaliar o caso clínico e o perfil do paciente, considerando as possíveis interações com outros remédios que ele esteja tomando. As contraindicações do produto devem estar descritas na bula.

Se os medicamentos fitoterápicos forem administrados sem prescrição médica, há o risco de existirem graves efeitos colaterais, complicações por uso indevido (feito sem indicação médica), toxicidade e interações medicamentosas (fitoterápicos com os medicamentos alopáticos) que podem resultar em perda dos resultados terapêuticos e/ou em aumento dos efeitos colaterais. A ingestão de qualquer medicamento sem orientação especializada no diagnóstico, sem prescrição ou sem o acompanhamento do tratamento é o que se chama de “automedicação”.

A automedicação, mesmo quando se trata de fitoterápicos, envolve o perigo de intoxicação, de mascaramento do diagnóstico certo, de interação medicamentosa — como dito —, de dependência e de reação alérgica. O médico especializado é quem tem conhecimento para diagnosticar e tratar determinado problema de saúde a fim de evitar complicações futuras no quadro do paciente.

Um mito muito comum é acreditar que, por ser de origem natural, o fitoterápico não faz mal. Contudo, todo medicamento precisa de controle e de cuidado.

Quais são os medicamentos fitoterápicos mais usados no Brasil?

Os brasileiros consomem muitos medicamentos fitoterápicos. Vamos elencar alguns dos mais usados no país a seguir:

  • alcachofra (Cynara scolimus);
  • aroeira (Schinus terebinthifolia);
  • babosa (Aloe vera);
  • cáscara sagrada (Rhamnus purshiana);
  • espinheira santa (Maytenus officinalis);
  • guaco (Mikania glomerata);
  • garra do diabo (Harpagophytum procumbens);
  • hortelã-pimenta (Menta piperita);
  • isoflavona de soja (Glycine max);
  • plantago (Plantago ovata);
  • salgueiro (Salix alba);
  • unha de gato (Uncaria tomentosa);
  • erva de São João (Hypericum perforatum);
  • valeriana (Valeriana officinalis);
  • maracujá (Passiflora sp.);
  • erva-cidreira (Melissa officinalis);
  • kava (Piper methysticum);
  • flor da paixão (Passiflora incarnata).

O Hypericum, conhecido como erva de São João, é uma planta cujo uso é antigo. Na Idade Média, ela era utilizada para espantar bruxas e espíritos. Hoje em dia, ela é aplicada principalmente em quadros depressivos e de insônia. Uma de suas características é o fato de ser um fitoterápico que apresenta efeitos colaterais quando em interação com alguns medicamentos sintéticos, como digoxina, anticoncepcionais, warfarina, cafeína e ciclosporina.

Quanto às fibras, guar, chia e aveia, elas são utilizadas para reduzir a absorção de gordura e de glicose. Nesse sentido, comporiam um tratamento preventivo contra aterosclerose e diabetes. Por outro lado, esses vegetais interferem na absorção de nutrientes necessários à saúde, como as vitaminas, e de alguns medicamentos.

Além disso, algumas plantas podem provocar alergias, especialmente as que pertencem à família das margaridas, como alcachofra, arnica e calêndula. Diante de qualquer indício de sensibilidade, o correto é suspender o consumo.

Os fitoterápicos substituem os alopáticos e os tratamentos convencionais?

Os fitoterápicos podem complementar algum tratamento com medicamentos sintéticos. Mas, em alguns casos, podem ser usados com exclusividade. Tudo depende do paciente e da gravidade da patologia. O seu consumo deve ser prescrito por um profissional de saúde, pois ele saberá identificar o melhor para o paciente, de modo que as possibilidades de efeitos adversos diminuam ou sejam nulas.

A maioria das plantas, porém, não foi estudada junto ao tratamento oncológico. Por isso, não é recomendado associar o seu uso a ele, já que ainda não se sabe o que pode realmente acontecer.

Como comprar medicamentos fitoterápicos com segurança?

Existe uma padronização no processo de produção dos medicamentos fitoterápicos. Assim, é usada a parte correta de cada planta, bem como a quantidade ideal. Essa padronização, baseada em dados, garante a segurança e a efetividade do produto para o uso em humanos. Portanto, precisamos ter cuidados com chás e outros produtos naturais sem procedência e sem registro.

Para concluir, é importante compreender que os medicamentos fitoterápicos têm a sua utilidade e podem, sim, ser benéficos em diferentes situações. Entretanto, a automedicação não é recomendada. Somente o profissional de saúde deve indicar fitoterápicos, na dosagem correta e, geralmente, como um tratamento complementar.

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