Mucosite: o que é e como tratar da melhor forma?

Mucosite
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O combate ao câncer traz diversos novos desafios ao nosso cotidiano, que provavelmente nunca enfrentamos antes. Nesse novo universo, alguns sintomas desagradáveis podem começar a surgir, como é o caso da mucosite. A boa notícia é que podemos tratar e prevenir esses efeitos colaterais, mantendo sua qualidade de vida durante o tratamento.

Neste artigo, falaremos especificamente da mucosite, presente em até 40% dos pacientes em tratamento contra o câncer. Conhecendo melhor essa condição, é possível se precaver e minimizar ao máximo o desconforto. Vamos lá?

O que causa a mucosite?

O tratamento para o câncer é diferente das outras terapêuticas da medicina: quando tomamos um antibiótico contra uma infecção, por exemplo, o remédio é direcionado especificamente para o micro-organismo. Seu impacto nas células do corpo é muito pequeno, minimizando os efeitos colaterais.

No tratamento do câncer, não é bem assim. As células que queremos combater já foram saudáveis e fizeram parte do próprio corpo. Ainda não encontramos uma maneira de fazer os remédios atacarem exclusivamente as células cancerígenas; eles atuam globalmente, afetando todo o organismo.

Um dos mecanismos mais frequentes da quimioterapia é a inibição da divisão celular — processo fundamental para o câncer sobreviver. Infelizmente, outras células do corpo precisam desse mecanismo. Dentre elas, destacamos as do trato gastrointestinal. Daí a maior propensão à mucosite.

Quais os sintomas da mucosite?

O sufixo “ite” nos remete à inflamação: a mucosite é definida como um processo inflamatório da mucosa, geralmente presente na boca ou na garganta. Ela ocorre porque as células que revestem essa estrutura perdem a capacidade de se regenerar completamente — o que as predispõe a feridas e irritações locais.

Os principais sintomas da mucosite são vermelhidão, dor ou inchaço na região da boca. Pode haver também sangramentos ou feridas, nas regiões da língua ou da gengiva. Em casos mais graves, a fala e a deglutição podem ser comprometidas.

Outro sinal da mucosite são manchas esbranquiçadas na mucosa bucal, indicativas do processo inflamatório. Essas manchas podem se expandir e cobrir toda a boca e língua, causando impacto significativo na alimentação.

Como tratar e se prevenir?

O tratamento e a prevenção têm o mesmo objetivo: reduzir os sintomas, melhorar a qualidade de vida e possibilitar a alimentação. A primeira linha é impedir que a mucosa seja irritada por agentes externos; por isso, é fundamental manter a higiene bucal e realizar consultas frequentes ao dentista.

A alimentação também conta muito na prevenção da mucosite. Alimentos ácidos, picantes, excessivamente secos ou crocantes podem ferir a mucosa e predispor a essa condição. Evite ao máximo fumar ou ingerir bebidas alcoólicas, que também são danosas à mucosa bucal.

No seu dia a dia, aposte em refeições mais macias, bem cozidas ou ensopadas. Além disso, manter uma hidratação vigorosa é fundamental na prevenção da mucosite. Por fim, a nutrição adequada suporta o funcionamento do sistema imunológico e minimiza o impacto das feridas locais.

Nos quadros em que essas medidas não funcionam, talvez seja necessário o uso de medicamentos. Analgésicos, anti-inflamatórios e anestésicos tópicos estão dentre os mais utilizados pelos oncologistas.

Em casos ainda mais graves, a nutrição pode ficar comprometida. Nessa hora, a internação pode ser necessária, para realizar a alimentação por outras formas. Além disso, durante a internação é possível fazer um tratamento anti-inflamatório mais vigoroso, controlado estreitamente pelo médico.

A mucosite é um dos efeitos colaterais mais comuns do tratamento do câncer. A boa notícia é que, atualmente, é possível se prevenir e tratar essa condição com eficácia. Caso perceba algum dos sintomas, procure seu médico e o deixe a par de sua situação; afinal, os métodos de tratamento são individualizados e precisam levar em consideração a situação pessoal de cada paciente.

Conhecer os principais efeitos colaterais da quimioterapia é o primeiro passo para se prevenir. Saiba mais sobre eles e garanta sua qualidade de vida durante o tratamento!

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