Quais são os riscos que a obesidade pode causar à saúde?

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O número de pessoas com obesidade no Brasil passa 18 milhões, um crescimento de 68% nos últimos 13 anos. Por isso mesmo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já classifica a doença como uma epidemia grave, com grandes consequências para a saúde das pessoas.

Dados do Ministério da Saúde revelaram que 42,7% da população estava acima do peso em 2006. Já em 2011, esse total passou para 48,5%, ou seja, quase metade da população brasileira. Esse levantamento foi realizado nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal pela Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).

O excesso de peso, em si, já pode trazer grandes problemas, como mal-estar e dificuldade de locomoção, e pode afetar demasiadamente a autoestima das pessoas. No entanto, o problema maior é o fato de a obesidade ser um fator de risco relevante para diversas outras doenças. A seguir, explicamos um pouco mais sobre ela e sobre suas possíveis consequências. Confira!

O que é a obesidade?

O excesso de peso ocorre quando a ingestão alimentar é maior que o gasto energético pelo organismo para a sua manutenção e para a realização das atividades do dia a dia, levando a um acúmulo de gordura. Esse quadro tende a se agravar com o tempo, principalmente em pessoas com predisposição genética.

Pela dificuldade em se perder o peso adquirido e por todas as consequências posteriores, a obesidade é considerada uma doença crônica. Ou seja, por mais que uma pessoa que tenha atingido o patamar obeso possa emagrecer, precisará ter mais cuidados durante toda a vida.

Quais as causas para o excesso de peso?

Muitos fatores, inclusive combinados, podem provocar a obesidade. É fundamental saber identificá-los para a recomendação de um tratamento adequado, pois nem sempre só a dieta e a prática de exercícios físicos podem ser suficientes. De qualquer modo, podemos destacar como as principais causas para o acúmulo de peso:

  • a genética, que influencia a quantidade e a forma como a gordura corporal é armazenada e distribuída pelo organismo, além de direcionar a conversão dos alimentos e o gasto energético de maneira inadequada;
  • o estilo de vida familiar, devido ao fato de haver compartilhamento não só da rotina, mas também dos hábitos alimentares e comportamentais;
  • o sedentarismo, uma vez que a pessoa tende a ingerir mais calorias do que gasta;
  • a alimentação inadequada, com um grande consumo de gorduras e carboidratos e a insuficiência de frutas, verduras e legumes;
  • os problemas de saúde, como as síndromes de Prader-Willi e de Cushing, entre outras doenças, que podem contribuir para o ganho de peso;
  • a idade avançada, uma vez que as alterações hormonais e o estilo de vida ajudam na perda de massa muscular;
  • os problemas para dormir, como a insônia e a apneia do sono, que podem causar alterações hormonais que aumentam o apetite por alimentos hipercalóricos, o que pode contribuir para o excesso de peso;
  • o abuso de substâncias químicas, como álcool e drogas, que afetam o funcionamento do sistema endócrino;
  • os distúrbios de ansiedade, que podem aumentar a compulsão por alimentos hipercalóricos.

A maioria desses fatores de risco para a obesidade pode ser contornada por meio de uma dieta equilibrada, pela atividade física regular e por mudanças de comportamento. Em alguns casos, pode ser necessário um tratamento médico, inclusive para a regulação hormonal.

Quais doenças podem ser provocadas pela obesidade?

Nem sempre a obesidade pode ser a causa direta para algum problema de saúde específico. O mais provável é que haja uma combinação de fatores que, se não forem tratados a tempo, levam a uma complicação. De qualquer forma, o excesso de peso contribui substancialmente para o surgimento das doenças listadas a seguir, entre outras.

Doenças cardiovasculares

Quando se está acima do peso, o corpo demanda mais oxigênio e sangue, por isso, pode sobrecarregar os órgãos, como o coração. Dessa forma, a obesidade pode levar ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como:

  • doença cardíaca coronariana;
  • insuficiência cardíaca;
  • hipertensão;
  • hipercolesterolemia;
  • tromboembolia;
  • fibrilação do átrio.

Diabetes tipo 2

Na diabetes do tipo 2, a pessoa para de produzir ou simplesmente se torna resistente à insulina, o hormônio que controla o índice glicêmico no sangue. O consumo excessivo de alimentos ricos em carboidratos pode levar tanto ao sobrepeso e à obesidade quanto ao diabetes tipo 2, visto que grande parte desses são obesos.

Doença renal crônica

As funções dos rins, como a filtragem do sangue e a produção de hormônios, podem ser comprometidas quando a pessoa está acima do peso. Isso ocorre devido ao aumento da pressão arterial no órgão, levando à doença renal crônica.

Câncer

Em 2025, estima-se que o Brasil terá cerca de 29 mil casos de câncer ligados à obesidade, conforme apontou um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). A perspectiva para os próximos anos é de que 4,6% dos casos de câncer sejam associados ao sobrepeso, em todos os diagnósticos oncológicos realizados no Brasil.

De acordo com a OMS, alguns cânceres, como o câncer de mama, de endométrio, de rim, de fígado, de próstata, de bexiga, de esôfago e o colorretal, têm a prevalência aumentada em pessoas obesas.

Alguns dos processos biológicos que explicam a relação entre sobrepeso/obesidade e câncer são:

  • inflamação crônica em algumas partes do corpo;
  • irregularidade no processo de renovação celular;
  • aumento da secreção de substâncias que podem provocar inflamações;
  • aumento na espessura dos vasos sanguíneos;
  • gordura abdominal em excesso;
  • alteração do perfil da microbiota do intestino;
  • excesso de secreção de insulina no sangue;
  • elevação dos níveis de hormônios sexuais.

Apesar de ser considerada uma doença crônica, a obesidade tem tratamento. Uma alimentação adequada, a prática de atividades físicas, entre outras mudanças nos hábitos de vida, podem contribuir de modo significativo para a redução do peso. Essas e outras medidas são fundamentais para evitar e combater os problemas de saúde apresentados acima. Portanto, procure um médico e faça o tratamento adequado antes que o sobrepeso traga consequências mais graves.

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