Saúde bucal em pacientes oncológicos

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Cada paciente oncológico tem uma experiência diferente com os tratamentos que recebe. No entanto, é bem comum haver efeitos colaterais, principalmente na radioterapia e na quimioterapia. Entre os mais comuns, estão aqueles relacionados à cavidade bucal, como sensação de boca seca, perda do paladar e até mesmo o surgimento de feridas.

Enquanto boa parte desses sintomas desaparece sozinha com o tempo, outros podem provocar grande desconforto para os pacientes. Alguns chegam a prejudicar a recuperação, exigindo uma abordagem mais efetiva dos médicos e dos demais profissionais de saúde.

Nessa hora, faz toda a diferença o acompanhamento de um dentista dentro de uma equipe multidisciplinar. Inclusive, ele pode atuar de maneira preventiva, evitando que esses problemas aconteçam durante o tratamento de câncer. A seguir, explicamos como devem ser os cuidados com a saúde bucal dos pacientes oncológicos. Confira!

Como deve ser o acompanhamento odontológico do paciente com câncer?

Assim que o diagnóstico de câncer é confirmado, o ideal é que o oncologista encaminhe o paciente para uma avaliação com um dentista especializado. Esse processo é fundamental para evitar que algumas complicações surjam durante e depois do tratamento.

De todo modo, caso isso não seja feito antes, é bom começar o acompanhamento logo no início do tratamento, para que o dentista possa monitorar o estado da saúde bucal do paciente. É importante ressaltar que cada organismo tende a reagir de maneira diferente. 

Assim, enquanto os problemas bucais são recorrentes em alguns, outros podem sofrer mais com fadiga, náuseas e vômitos. Ou seja, o acompanhamento do paciente oncológico deve ser individualizado, com uma abordagem personalizada para lidar com os possíveis efeitos colaterais.

O fato é que, quando diagnosticados precocemente, esses efeitos podem ser tratados de maneira mais efetiva, reduzindo as suas consequências para os pacientes. Do contrário, podem deixar sequelas mesmo depois do fim do tratamento do câncer.

Quais as complicações bucais mais comuns em pacientes oncológicos?

Como já dissemos, cada paciente oncológico pode ter a saúde bucal afetada de maneira diferente. No entanto, algumas condições são mais frequentes e, por isso, merecem uma atenção especial dos dentistas desde o início do tratamento. Veja quais são as principais a seguir.

Mucosite oral

Trata-se de uma inflamação na mucosa da boca, caracterizada pela formação de edemas, eritemas e placas brancas que podem descamar. Com o tempo, podem aparecer úlceras mais profundas no tecido mole.

Os pacientes sentem muita dor e sensibilidade, dificultando a hidratação e a nutrição adequadas, prejudicando ainda mais a recuperação da condição do tecido bucal e do próprio quadro oncológico.

Xerostomia 

A xerostomia é caracterizada pela sensação de boca seca, normalmente relacionada às alterações salivares. Isso pode modificar a microbiota da região, aumentando as chances de infecções e outros problemas bucais. A baixa produção de saliva também favorece o surgimento de cáries e até de problemas gastrointestinais com o passar do tempo.

Infecções fúngicas 

A candidíase (Candida albicans), conhecida popularmente como “sapinho”, é a infecção fúngica mais recorrente em pacientes oncológicos. A baixa imunidade favorece o desenvolvimento desses fungos, formando lesões esbranquiçadas em forma de placas por toda a mucosa oral. Elas podem provocar um desconforto e sensação de ardência, que dificultam a ingestão de líquidos e a mastigação.

Herpes simples ou herpes zoster

São lesões em forma de vesículas ou bolhas que se estendem por toda a mucosa da boca, provocadas por diferentes tipos de vírus, causando coceira, vermelhidão e queimação no local. Também são consideradas doenças oportunistas, pois se aproveitam da baixa imunidade dos pacientes em tratamento de câncer

Todas essas condições são temporárias, mas exigem monitoramento e tratamento, pois podem prejudicar a recuperação dos pacientes oncológicos. Por isso, o dentista deve orientar desde o início sobre a possibilidade de surgirem esses problemas, administrando as terapias necessárias para contê-los ou amenizá-los desde o início do tratamento do câncer.

Quais são as principais recomendações para esse perfil de paciente?

A prevenção e a resolução desses problemas bucais devem considerar o estado de saúde geral de cada paciente, bem como as suas necessidades no dia a dia. Uma abordagem individualizada é a maneira mais eficiente de manter a saúde bucal e de proporcionar uma melhor qualidade de vida ao paciente.

De modo preventivo, uma das primeiras recomendações do dentista é de que o paciente use escovas pequenas e de cerdas macias, que fazem uma higienização adequada sem machucar a mucosa. Também podem ser indicados produtos para dentes sensíveis, que irritam menos a boca, como cremes dentais e soluções antissépticas sem álcool.

Durante o tratamento do câncer, o dentista pode destacar que não são recomendados procedimentos mais invasivos, como cirurgias, implantes e clareamentos. Em alguns casos, pode ser indicada a remoção do aparelho ortodôntico, tendo em vista que ele pode aumentar as chances de inflamações, sangramentos e a formação de úlceras.

O dentista pode recomendar, ainda, tratamentos específicos para cada situação. No caso da boca seca, podem ser prescritos lubrificantes bucais, conhecidos como saliva artificial. Já a mucosite e outras inflamações podem ser manejadas com anti-inflamatórios e até com laserterapia, tratamento que melhora o desconforto, estimula a salivação e acelera a reparação tecidual.

Além disso, é fundamental que o paciente faça uma boa alimentação, dando preferência para alimentos leves, e beba muita água. O ideal é que também haja um acompanhamento com um nutricionista, para prescrever uma dieta adequada e individualizada para o paciente.

Com o fim do tratamento oncológico, o dentista deve verificar quais foram as consequências para a saúde bucal do paciente. Dessa forma, depois da total recuperação, podem ser indicados procedimentos para a recuperação da função estética que possam devolvem a autoestima desses pacientes.

Dia mundial da saúde bucal

Em 20 de março, é celebrado o dia mundial da saúde bucal. Aproveitamos a data para reforçar a importância de os pacientes oncológicos contarem com um acompanhamento multidisciplinar, que preze pela saúde integral, inclusive, com a participação de profissionais da Odontologia. Afinal de contas, como se diz por aí, a boa saúde começa pela boca.

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