Entenda a importância da alimentação no tratamento de quimioterapia

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Alimentar-se bem é fundamental em qualquer fase da vida, mas durante o tratamento de quimioterapia, vale a pena atentar-se ainda mais para os seus hábitos e tudo aquilo que você põe no prato.

É importante ressaltar que os pacientes oncológicos nem sempre precisam de uma dieta específica, mas optar por refeições mais naturais, saudáveis e equilibradas garante mais qualidade de vida nesse momento, além de deixar o organismo bem preparado para combater a doença.

Portanto, é hora de equilibrar fibras, carboidratos, proteínas e vitaminas. Para orientá-lo, lembre-se sempre de contar com o apoio do seu médico e de um nutricionista especializado. Neste artigo, a especialista em Nutrição Oncológica pelo SBNO e nutricionista da Oncomed BH, Juliana Pesso Carvalho Barbosa, vai falar mais sobre o assunto e esclarecer as principais dúvidas sobre a alimentação durante a quimioterapia. Acompanhe!

A importância da alimentação durante o tratamento de quimioterapia

Desde que nascemos, os alimentos são importantes fontes de energia para o nosso corpo e ajudam em importantes etapas do desenvolvimento humano — como o crescimento, o combate a doenças etc.

Durante um tratamento oncológico, uma alimentação equilibrada é capaz de garantir muitos benefícios ao paciente, como:

  • oferecer os nutrientes necessários para que o organismo se mantenha forte e com boa imunidade;
  • ajudar a manter ou recuperar o peso;
  • minimizar os efeitos colaterais que podem ocorrer durante e após o tratamento.

Vale lembrar que, antes da medicação, é importante que o paciente faça uma refeição leve, pois o estômago vazio pode fazer surgir ou aumentar as sensações de náuseas. Também é preciso manter a hidratação, seja com água, suco natural ou água de coco.

Os alimentos mais indicados

De forma geral, são recomendados aqueles alimentos que podemos chamar de comida de verdade/ ingredientes in natura, como:

  • carnes;
  • leite;
  • ovos;
  • castanhas;
  • grãos;
  • legumes e verduras.

Para simplificar na hora da escolha, opte por tudo aquilo que vem diretamente da natureza e que passa por processos mínimos de industrialização, como limpeza, secagem, congelamento e empacotamento. Aqui (e em qualquer fase da vida), vale a regra: descasque mais e desembrulhe menos.

Uma alimentação mais natural e o menos processada possível, além de ser fonte de fibras, minerais e vários outros compostos que contribuem para a proteção celular, ainda ajuda nos processos naturais do organismo referentes à cicatrização e imunidade.

Os alimentos que devem ser evitados

Tudo aquilo que é repleto de aditivos químicos, como conservantes e corantes, deve ser evitado ao máximo. Entre os maiores exemplos de alimentos ultraprocessados, podemos citar:

  • biscoitos e salgadinhos de pacote;
  • refrigerantes e sucos de pó;
  • macarrão instantâneo;
  • mistura para bolos;
  • produtos congelados em geral.

Além de desbalanceados, esses alimentos, geralmente, têm muitas calorias e, ao mesmo tempo, são pobres em nutrientes. Uma dica para conferir a qualidade do produto é ler a sua lista de ingredientes: eles aparecem na lista em ordem decrescente no quesito quantidade em que são encontrados no alimento. Portanto, se o primeiro ingrediente citado é o açúcar, por exemplo, é isso o que mais tem dentro daquela embalagem. Fique de olho!

As alterações comuns durante o tratamento

Algumas reações são bastante comuns durante o tratamento de quimioterapia e têm a ver com o medicamento utilizado. Tais efeitos colaterais também podem variar de pessoa para a pessoa, mas, geralmente, são alterações no paladar, perda de apetite, feridas na boca que causam dor e dificuldade para engolir, náuseas, vômitos, alterações gastrointestinais, como diarreia e constipação.

Em cada situação, algumas medidas relacionadas à alimentação podem ajudar a diminuir o desconforto causado pelas medicações, veja:

  • vômitos ou náuseas: fracione as refeições, dando um intervalo menor entre elas, e evite ingerir líquidos durante as refeições;
  • diarreias e constipações: aumente a ingestão de líquidos e o consumo de sucos de frutas;
  • boca seca: beba pequenas quantidades de líquidos com muita frequência e consuma pratos líquidos, como sopas, caldos e molhos;
  • feridas: prefira a consistência dos alimentos de sólida para pastosa e evite ingredientes ácidos e irritantes.

Por fim, caso o processo de alimentação esteja mais desafiador em alguns dias, experimente modificar a consistência do alimento e deixá-lo pastoso ou líquido. Prove os alimentos em temperatura ambiente ou gelada e dê preferência aos temperos naturais, como folha de louro, alecrim, manjericão e gengibre — além de mascararem o gosto ruim do paladar, esses ingredientes também minimizam as náuseas.

Os mitos sobre alimentação e quimioterapia

Existem muitos mitos em volta do assunto câncer, e muitos deles são relacionados à alimentação. Entre os principais e mais espalhados pela população, podemos destacar:

  • alimentos milagrosos;
  • crescimento do tumor após a ingestão de alguns ingredientes;
  • alimentos que interferem no funcionamento da quimioterapia.

Por esses e muitos outros motivos, é fundamental contar com o acompanhamento de profissionais sérios e especializados no assunto durante o tratamento. Isso porque dietas restritivas, e até a ingestão de chás milagrosos, podem ter efeitos negativos sobre o tratamento, piorando o estado nutricional ou interagindo com medicamentos de modo a prejudicar a ação do quimioterápico.

Portanto, converse sempre com o seu médico e nutricionista. Só eles estão acompanhando de perto o seu tratamento, as medicações que usa e as respostas do seu organismo. Lembre-se que cada pessoa é única, assim como é cada tratamento.

O papel do nutricionista

Ao acompanhar o tratamento de forma individualizada, um profissional especializado em Nutrição Oncológica é capaz de adequar a dieta para cada paciente, considerando os seus aspectos pessoais e clínicos, que envolvem:

  • necessidades nutricionais;
  • restrições dietéticas;
  • tolerância;
  • efeitos colaterais;
  • estado clínico do paciente.

A Oncomed BH, além de oferecer todo o suporte que o paciente precisa, garante o acompanhamento nutricional necessário. Ainda antes do início do tratamento, o paciente é avaliado e orientado quanto ao manejo nutricional dos possíveis efeitos colaterais de acordo com o protocolo a ser utilizado.

Durante o processo, esse acompanhamento realizado pelo nutricionista oncológico vai focar na qualidade de vida do paciente, melhorando a aceitação alimentar, reduzindo os sintomas e ajudando também nas interações sociais.

São muitos os fatores que merecem total atenção em um tratamento de quimioterapia e a alimentação é um deles. Essenciais para o melhor funcionamento do nosso corpo, e para manter a nossa qualidade de vida, os alimentos podem (e devem) ser grandes aliados nesse período.

Quer saber mais sobre esse acompanhamento ou outros serviços oferecidos pela Oncomed? Basta entrar em contato! Nossa equipe está pronta para auxiliar você!

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2 thoughts on “Entenda a importância da alimentação no tratamento de quimioterapia

  1. Meu marido está com câncer na próstata e na coluna, fez 6 sessões de quimioterapia e toma uma injeção todo mês para a coluna.A quimioterapia acabou a injeção será pra sempre ,segundo o médico. Por favor gostaria de saber se a alimentação dele tem que continuar restrita. Tem a nutricionista, só que ainda não teve vaga para consulta.Obrigada

    1. Ei, Aparecida! Ter hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física, são importantes em todas as fases da vida, bem como, durante e após o tratamento do câncer, pois evita o ressurgimento da doença e contribui para melhor qualidade de vida. Orientamos limitar o consumo de óleos, gorduras, sal e açúcares, evitar o consumo de alimentos processados e ultraprocessados e preferir os alimentos in natura como frutas, legumes, cereais integrais, leite, ovos, castanhas e carnes. Mas, caso o seu marido tenha sido orientado a seguir uma dieta mais restritiva em razão do tratamento, é preciso verificar com o médico as orientações específicas.

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